domingo, 28 de abril de 2013

O retrato da alma

Ainda aprendo com os livros que leio. Ainda me fazem pensar.
Depois de passar a última pagina pergunto-me, quase sustendo a respiração com medo da resposta:  Qual será o aspecto da minha alma?
Terá muitas rugas, muitos sinais salientes? Terá verrugas no nariz e pêlos a mais a unir as sobrancelhas? Terá uma corcunda e será coxa de um pé? Terá um sorriso maldoso e uma expressão de desdém? Terá um olhar arrogante e dentes amarelos a espreitar entre os lábios secos e gretados?
Como é que será a minha alma?
Acumulação de todos os pecados e prazeres de 19 anos de vida. Espero que não esteja muito marcada, porque senão aos 40 não será nada mais que um espectro engelhado, disforme e ensanguentado. 
Só sei que se me dessem uma maquina fotográfica para almas, daquelas próprias para fotografar a alma e não o corpo, punha-a dentro de um cofre e colocava o cofre numa gaiola com corvos. Para nunca ter a tentação de a ir buscar e de a usar. Prefiro não saber qual o aspecto da minha alma, prefiro não saber quanta auto destruição tenho feito em mim ao longo dos poucos anos passados desde o inicio.
Prefiro ficar com a imagem que se me apresenta quando olho ao espelho. Mesmo com as imperfeições exageradamente evidenciadas por esta insatisfação e insegurança, próprias de quem deseja muito e alcança pouco. Mesmo assim, acredito que a imagem da minha alma seria mais corrupta e obscura que a do meu corpo. Mais envelhecida. Mais esquecida. Mais degradada. 
Por isso guardem as maquinas de alma bem guardadas, porque se a consciência pesa sem se ver...vendo-a, seria impossível de viver.

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