O feriado está a acabar. Para sempre. Para nunca mais voltar. É como acontece a algumas vidas, algumas vezes. E como acontece a algumas certezas.
Nunca acontece às almas. Ou assim gosto de pensar. Não acontece às memórias.
O feriado está a acabar. Para sempre.
Doem-me os joelhos, os olhos e os calcanhares. Dói-me algo que não tem nome, e que custa a aliviar.
Dói-me quando tenho de desfazer uma casa, daquelas pequenas mas cheias de tudo o que uma vida reúne. Dói-me ainda mais ser aquela casa, com aquelas coisas. Com aquelas memórias. Com estas saudades e com este vazio que dói, e não tem nome.
As mãos começam a suar e na garganta forma-se um nó mais rijo que uma pedra no rim.
É uma questão de tempo? De hábito? De aceitação?
Ou é uma questão de aprender a viver com a dor? Sempre presente e nunca mais fraca. Ao contrário do feriado, da vida e das certezas.
Mas de todas as certezas que desaparecem, uma foge à regra e fica para sempre: a certeza de que, com a dor, ficas também tu...dentro de mim. E tens nome.
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