quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

E tudo o vento bem que podia levar


Tenho saudades da Praia da Areia Branca. Dos fins-de-semana saudaveis e caseiros. De afogar as plantas, tal é o entusiasmo com que as rego de manhã, ainda de pijama e pantufas. Tenho saudades de falar com aquele Sol, que pode parecer o mesmo deste aqui, mas não é. Lá o Sol está mais perto, consigo vê-lo melhor e falar com ele sem ter que levantar a voz para passar a camada de poluição que aqui existe entre nós.
Tenho saudades de cheirar a areia e as rochas, de as sentir na minha pele. Tenho saudades de passear pelos mesmos sítios por onde passeava quando tinha 1 ano e não havia nada para o vento levar.
Preciso de falar com o meu avô e saber que ele me está a ouvir. E lá tenho a certeza.
Tenho saudades de ver os surfistas a caírem nas ondas, como se fossem algodão doce azul, macio e delicioso.
Tenho saudades da praia no Inverno e de me sentir lá, longe daqui.
Tenho saudades das noites frias e ventosas, que fazem o mar parecer tão calmo e levam o som dele até mim, onde quer que esteja. Tenho saudades das noites frias lá fora, do som da natureza a entrar pelas janelas, e de eu a beber chá na sala com a televisão ligada num canal de zero interesse, mas que me deixa tão tranquila por não me prender e me deixar ir para cama ler os livros da minha mãe, que os leu pela primeira vez quando tinha a minha idade. Adoro imaginá-la. A posição, a expressão, o que estaria a pensar quando leu aquela frase específica. Imaginar a minha avó a dizer para ela desligar a luz e dormir, e a minha tia a refilar e a fazer queixinhas da cama ao lado para o quarto dos meus avós.
E tenho saudades das terapias do vento. Daquelas em que vou para o sítio mais ventoso que existe e fico horas a sentir o vento vir contra mim. Até não sentir a minha cara, até tudo o vento levar.

1 comentário:

  1. Nunca fui à Praia da Areia Branca, mas depois de ler este teu desabafo, até eu fiquei com saudades...

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