quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Buum

fez o tiro.

Não consigo considerar a hipótese suicidio. Ou melhor, a hipótese consigo considerar mas pô-la em prática é seguramente improvável (porque sempre me ensinaram que impossivel não se diz, e eu sou uma boa empreendedora). Por muito desesperada que esteja, por muito más que pareçam as circunstâncias...não teria coragem nem força para premir o gatilho ou para enterrar uma faca na minha zona abdominal. Sou uma cobarde no que toca ao suicidio. Não tenho o qué é preciso. Falta-me força de vontade, determinação e motivação (e se fosse só no que toca ao suicidio...estavamos nós bem). Por muito forte que seja a força maior que rege os meus motivos de depressão, frustração, raiva e tristeza, ela não é assim tão forte ao ponto de me fazer esquecer o que me prende aqui. Se me dessem uma pistola carregada para a mão, mesmo num dia como este, o máximo que eu faria era encostá-la à têmpora direita e imaginar o que sentiria ao disparar. Imaginar os estragos que ia provocar no local, a poça de sangue e os pedaços de cérebro espalhados pelas paredes. O máximo que faria era cheirar a pólvora seca e considerar disparar contra o meu pé, para fazer um buraco por onde saísse toda esta estupidez acumulada ao longo dos dias e o pus que me cresce nas entranhas e não me deixa ver tudo nítido ao longe, nem ao perto para dizer a verdade.
Se me dessem uma pistola carregada para a mão, ficava a olhar para ela depois de me surpreender com o seu peso, e a imaginar-me reduzida a cinzas dentro de uma caixa de rebuçados Irlandeses.
Seria como um estímulo para a minha memória, como uma pastilha daquelas que nos fazem aguçar os sentidos, e então aí ia-me lembrar de tudo o que aconteceu e do que pode ainda vir a acontecer. E então aí desistia. Provavelmente ria-me e pensava para mim mesma que só alguém com um nível acentuado de loucura iria estar ali sentado calmamente com uma arma encontada à têmpora a pensar na vida e na frequência da próxima segunda-feira, que mesmo que corra mal...não me vai fazer disparar contra a minha cabeça que tanto trabalho me dá mas a quem tanto tenho que agradecer.

Sem comentários:

Enviar um comentário

memórias