Se a pele está estorricada, a culpa é do sol. Se a culpa é do sol, a pele dói. Está vermelha, irritada, grita baixinho e sem voz.
Se por dentro está vazio, não dói nem deixa de doer. Apenas se ouve um eco forte do grito que a pele deu. Se está vazio, sente-se falta. De quê? Não sei. Se soubesse ia buscar e ocupava o vazio com isso. Já me doem os ouvidos de tanto eco ouvir, tão constantemente e tão profundo que entra e não volta a sair.
Se agora só dói por fora e o dentro está tranquilo, é porque o vazio já está mais cheio. Já é menos vazio. Porquê? Só sei que não dependeu de mim. Só sei que não fui buscar nada para ocupar espaço e provocar sorrisos. O que sei é que algo veio ter comigo, e enquanto esse algo está cá o eco é abafado. Já se ouve menos. Os ouvidos descansam e o vazio diminui. De vez? Acho que não.
Mas enquanto o algo cá fica e me acompanha, o que dói é só mesmo a pele...que continua sensível, vermelha e cheia de creme. E o culpado é o sol. (Diz o verdadeiro culpado, com peso na consciência)
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