Não queria que as coisas fossem tão lineares como às vezes as pessoas querem fazer parecer.
Não gosto de rótulos, de frascos organizados por cores e tamanhos, dispostos numa prateleira sem graça.
Gosto do contraste, fascino-me com a mistura, cresço com o Todo que faz Um-Só.
Gosto do desconhecido, do que não tem sinónimos nem defenições. Agrada-me o mistério, a interrogação e as asas da imaginação.
Não gosto de dicionários nem de simbologia. Não concordo com grupos e não sou a favor de conjuntos.
Não quero limitações que são impostas para perceber o que não foi feito para ser percebido.
Não quero limites, palavras, descrições.
Não quero estilos nem glossários.
Parem de tentar explicar o inexplicável! Não veêm que estão a tirar a beleza à inovação?
Não cortem a mão do Camões nem a língua da Amália.
Querem um mundo repleto de vida, pessoas únicas e ideias novas? Ou preferem uma manada de suínos com o cerebelo pouco desenvolvido, que têm medo de arriscar?
Defenições atrofiam! Explicações exactas limitam.
Complicar para quê? Às vezes o mais simples está em deixar a diversidade progredir, aumentar e melhorar.
Agrupar para quê? Não temos espaço suficiente?
(A selecção natural já é cruel o suficiente, nao precisa de ajuda. Obrigada!)
Organização torna-se obsessão. Inibe os horizontes. Acham agradável? Eu cá nem por isso!
Já agora fechem-se entre quatro paredes e fechem as portas e janelas. Ainda acham agradável?
Não precisamos de rotular, não precisamos de analisar comportamentos alheios nem de criticar só porque sim.
E aceitar que tudo é como deve ser? Não?
Vivam apenas com os "Porquês" necessários à não-monotonia de uma vida que se torna desinteressante e (demasiado) vulgar.
Deixem ser! Deixem evoluir.
Gosto do meu frasco como ele é, e mudo o seu lugar todos os dias. Tiro-lhe o rótulo que alguém insiste em colocar.
Derrubo os que o rodeiam, não para os partir mas para incitar alguma agitação.
Acabar com a arrumação!

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