Tal como quando me dizem "não olhes para o teu lado esquerdo!", a primeira coisa que eu faço institivamente como que a responder a um impulso que não consigo controlar, é olhar para o meu lado esquerdo. Também quando eu própria me digo "não penses mais nisso, vais acabar por te dar mal!", a única coisa que não me sai da cabeça é exactamente isso, essa coisa na qual não deveria nunca mais pensar.
É irritantemente inevitável, curiosamente verdade e sai estupidamente do meu controlo.
Não sei se será uma questão de pouca força de vontade da minha parte, ou uma fraqueza descomunal da qual não me consigo livrar nem que faça uma lobotomia. O que sei é que continuo a pensar nisso. Continuo a brincar com o fogo, e é morbidamente agradavel. É sádico e dá-me um prazer inexplicavel.
Enquanto penso nisso, enquanto insisto no assunto e enquanto forço o meu cérebro a andar por essas partes supostamente interditas, sou invadida por uma sensação de estranha felicidade. A adrenalina de fazer aquilo que sei que está errado, a excitação que se apodera de mim ao desafiar as regras do mundo (ou , tirando o dramatismo, as insignificantes regras da minha vida).
O fogo pode queimar, mas este fogo que está dentro de mim já não me queima. Ou pelo menos já não sinto a dôr. Não me consigo controlar e acabo sempre por brincar com ele, por ficar a olhar como que em estado de transe, enquanto as chamas se elevam para o céu com formas abstractas que me fazem lembrar da minha fraca mortalidade.
E agora já nao me sinto a queimar, mas acabo sempre por ficar com as cicatrizes. Com queimaduras que ficam para sempre. Tudo porque quis brincar com o fogo, e olhei para o meu lado esquerdo sem me obedecer.
"Your eyes are sparkling with teenage fire
I'll satisfy your mad desires cause
I love playing with fire
And I don't wanna get burned
I love playing with fire
And I don't think I'll ever learn" The Runaways
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