sábado, 5 de fevereiro de 2011

Miupia Congénita

É como se tudo estivesse onde não devia, como não devia.
É como se tivesse perdido os meus óculos e fosse obrigada a ver as coisas que estão distantes sem me aproximar. Claro que não vejo nada. Apenas vultos e figuras desfocadas, que parecem ter cores que nem sequer se aproximam das reais.
E agora? Não consigo encontrar os óculos, alguém os deve ter escondido. Que brincadeira de mau gosto!
Continuo a andar à espera que mos devolvam? Ou vou procura-los ou comprar uns novos? Não, não posso comprar uns novos. Não tenho dinheiro para isso.
E se continuar a andar posso tropeçar e partir qualquer coisa. Por isso essa hipótese também está excluída da lista.
Só me resta uma alternativa: procura-los sem avançar demasiado para terreno desconhecido.
Ficar por aqui, tentar encontrar a solução e resolver o problema.
Endireitar o mundo à minha volta e tornar as coisas mais nítidas e visíveis.
Quero conseguir perceber melhor, ver melhor. Quero poder avançar sem ter medo de tropeçar.
Mas até para isso é preciso motivação. Mesmo sendo uma procura em terreno familiar, preciso de preparação, determinação, incentivos e coragem.
Se não os encontrar pelo menos procurei. Mas será que devia arriscar mais? Será que assim nunca vou conseguir alcançar coisas grandes? Nunca vou poder ver as coisas que estão mais longe, nunca as vou perceber e saber as suas cores reais?
Se calhar não. Se calhar não fui feita para isso. Nasci miupe e miupe vou ficar até ao fim dos meus dias. Com ou sem óculos. Com ou sem procura.
Por isso às vezes é difícil perceber se vale a pena.
Mas no fundo acho que vale sempre a pena, e tudo volta a estar onde devia, como devia.

(vou mas é dormir, antes que acorde cega)

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